Vai ter mulher no estádio SIM

Como todos sabem, neste domingo (08), ocorreu no Maracanã o segundo jogo pela final do Campeonato Carioca entre Vasco e Botafogo, onde o cruzmaltino se sagrou bicampeão invicto com gol de Rafael Vaz. Mas hoje eu não vou falar sobre o título. O assunto que vai ser debatido aqui, ao contrário do que muitos pensam, infelizmente, ainda existe.

M.S, que pediu para não ser identificada, é vascaína e está sempre acompanhando o clube, inclusive nos jogos. Ela foi ao primeiro jogo da final e também foi ao segundo. Apoiou e cantou como qualquer outro torcedor. Porém, no segundo jogo, um episódio um tanto quanto lamentável nos dias de hoje, aconteceu com ela. M.S estava na arquibancada assistindo ao jogo com os amigos e outros milhares de vascaínos. Estava em pé na cadeira, assim como tantos outros, o que não é certo, mas foi a partir daí que o episódio começou.

Segundo relato de M.S, um torcedor que estava atrás dela, sentado e de braços cruzados, pediu grosseiramente ao amigo dela para que falasse com a mesma para descer da cadeira. Ela então se incomodou pelo fato de não falarem diretamente com ela, como se ela não tivesse capacidade para responder e perguntou ao torcedor, se essa pessoa a que ele se referia era ela. Uma discussão começou e um outro torcedor que não tinha absolutamente nada a ver com a situação, que estava três fileiras acima dela, começou a xingá-la e tentou agredi-la com um tapa na cara, que acabou pegando no ombro.

A torcedora procurou a polícia e a situação foi levada para o JECrim. Foi feito o registro de ocorrência, houve audiência e o agressor, que estava no jogo com a esposa e os filhos, terá que doar cestas básicas para o INCA. Agora chegando ao ponto principal do assunto, podemos nos perguntar: como ainda existe gente com um pensamento tão pequeno quando o assunto é mulher e futebol? O Vascalindas foi criado justamente com o intuito de mostrar, que mulher pode e deve falar e acompanhar o seu time seja aonde for.

A situação de estar em pé na cadeira, apesar de ser errada, sumiu no meio desse preconceito. Era jogo de final, o estádio estava lotado, M.S estava no setor sul superior, onde a grande maioria assiste ao jogo em pé, a emoção fala mais alto e você só pensa em apoiar e cantar. Ela não foi a primeira e nem será a última a passar por esse tipo de situação. Se você, que está lendo já passou por alguma situação parecida, não se cale, mas também não perca a razão. Faça como M.S, vá atrás de uma autoridade, vá atrás do seu direito, lute para que esse preconceito acabe. Mulher pode e deve ir ao estádio!

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