10 abr

Enquanto houver um coração infantil

Ajudar. Nos dias de hoje olhar para o próximo e enxergar nele a esperança de um mundo melhor não acontece constantemente. Com tantas facilidades nos tempos modernos, parar para estudar e tirar boas notas não é uma missão das mais prazerosas para crianças e adultos. Um pai fazer brotar e semear o amor a um clube de futebol já é complicado, imaginem esse trabalho de Hércules feito por uma terceira pessoa? É mais ou menos essa a ideologia do projeto Enquanto Houver um Coração Infantil, que busca através do amor ao Vasco da Gama, proporcionar a crianças carentes um mundo com mais educação.

A história começou em 2010, numa cidadezinha no interior da Paraíba chamada Taperoá. Lá, a Maria Luíza torcia para o Vasco, mas tinha receio de demonstrar seu amor pelo cruzmaltino, já que o seu pai era torcedor do arquirrival rubro-negro. Ângela, a tia vascaína da menina, decidiu então propor um acordo com a sobrinha: caso a garotinha passasse de ano na escola, ganharia uma camisa oficial do Club de Regatas Vasco da Gama.

O acordo entre a tia e a sobrinha foi se espalhando por Taperoá e sua proporção foi se expandindo. Nada mais justo então do que somar o amor pelo Vasco à educação e assim é feito até hoje. Durante todo o ano, voluntários visitam escolas públicas de seis cidades do Nordeste, identificam as crianças vascaínas e fazem um acordo com elas e os pais, onde todos se responsabilizam por ter disciplina, boas notas e dedicação aos estudos.

Entrega do material escolar em Patos-PB / Foto: Divulgação

Entrega do material escolar em Patos-PB / Foto: Divulgação

Ao longo do ano os voluntários se reúnem com as crianças para debater temas importantes para a construção de futuros adultos mais conscientes. No final do ano letivo, com a aprovação na escola, as crianças são recompensadas, assim como a Maria Luíza, sobrinha da Ângela foi. Eles ganham a tão esperada camisa oficial do time de São Januário, que são doadas pelo próprio clube. O lado humano da torcida entra em ação mais uma vez nesse projeto, onde os próprios torcedores se juntam e fazem doações para a compra dos kits com materiais escolares para serem usados no próximo ano.

O clube que lutou por negros e operários, que teve seu estádio construído com as mãos e suor da sua torcida vive no coração de cada criança carente ajudada pelo projeto. Muitas não são atendidas pelos governantes locais e enxergam nessa iniciativa uma nova perspectiva de vida, o lado em que o desporto proporciona experiências únicas que vão além de 90 minutos de jogo.

Às vezes a gente reclama da zaga que abre demais, do ataque que não acerta o gol, do rebaixamento, mas atrás de cada rosto que está ali no estádio ou assistindo pela TV, sorrindo ou chorando, existe um sentimento que brotou lá trás, na infância. Enquanto houver um coração infantil, o Vasco será IMORTAL.